quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Governo dos Anciãos

João Calvino, ao discutir sobre os sistemas de governo, afirma: “(...)em virtude dos vícios ou defeitos dos homens, é mais seguro e mais tolerável quando diversos exerçam o governo, de sorte que, assim se assistam mutuamente, ensinem e exortem uns aos outros; e, se alguém se exalta mais do que lhe é justo ,muitos sejam censores e mestres para coibir-se seu desregramento” (Livro IV, Capítulo XX das Institutas). Exalta as vantagens da aristocracia, tendo como um dos principais argumentos o governo dos anciãos na Bíblia desde os tempos de Moisés. O nosso Sistema Presbiteriano segue esse princípio. A nossa Igreja é conciliar. Nela não há espaço para decisões unilaterais, centralização. Os presbíteros reunidos em conselho, com temor e oração, tomam as decisões para a edificação da Igreja. É possível que os concílios errem? A nossa Confissão de Fé, fiel à Bíblia, reconhecendo que  Deus é o único infalível, responde que sim e acrescenta que "muitos têm errado" (Cap. XXXI,III). Quando, porém, o governo da Igreja é entregue a um homem só, nos moldes da monarquia, a possibilidade de erro é muito maior. Se é entregue ao povo como um todo, é possível (provável) que nem todos tenham maturidade suficiente para governar. Além dos grandes desafios doutrinários que temos  em busca da pureza da Igreja, inclusive no que concerne à  liturgia, em busca do culto teocêntrico,  devemos também preservar o nosso governo bíblico, sadio, prudente. No Sistema Presbiteriano a Igreja não é do "pastor fulano", não é o pastor quem decide sozinho, quem aceita ou deixa de aceitar. As resoluções são tomadas coletivamente, em colegiado. Afinal, o pastor é presbítero e os presbíteros também são pastores do rebanho. Onde há o personalismo centralizador dos dominadores do rebanho é porque o sistema já foi adulterado. Onde ele é fielmente aplicado, se a decisão foi acertada, glorificamos a Deus em conjunto, pois o concílio foi instrumento de Deus naquele acerto. Se houve erro, assumimos a responsabilidade em conjunto, pedimos perdão a Deus e lutamos contra a reincidência. Louvemos a Deus pelo nosso sistema de governo e oremos e labutemos para que ele permaneça fiel. Amém!

1 comentários:

Marcos Antônio Ferreira disse...

Pessoalmente creio que qualquer sistema de governo poderia funcionar bem, se as pessoas envolvidas tiverem bom caráter, humildade e as melhores qualificações espirituais e intelectuais. Vez que isto é raro, todos os sistemas acabam tendo altos e baixos. O sistema presbiteriano, teoricamente teria menores chances de erro. Contudo, conselhos, presbitérios, sínodos e mesmo o SC erram frequentemente e cometem injustiças. Isto acontece não só por causa de corporativismo de pastores, mas também por causa da omissão de presbíteros. Nem sempre é o pastor que se torna o peso decisivo. Em muitos conselhos, há presbíteros que não descansam até que sejam alcançados seus objetivos e alvos pessoais no trabalho da igreja. Alguns, inclusive, sabem trabalhar politicamente e induzir os colegas menos preparados.
Um dos grandes problemas de nossos sistema conciliar é que a grande maioria de nossos presbíteros são despreparados, desinteressados e de pouco engajamento. Os que destoam dessa realidade são poucos e menos ainda são os que estão dispostos a representar a igreja no presbitério e a andar lado a lado com o pastor.
Esta é a minha experiência de quase 35 anos com conselhos e presbitérios.

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